Alterações emocionais numa gravidez desejada!

Está grávida, pensa engravidar ou tem alguém próximo que esteja a passar por esta fase? Então venha daí connosco nesta viagem de 40 semanas.

Neste tantas vezes chamado estado de graça, onde algumas mulheres sentem que têm “o rei na barriga” e outras só desejam adormecer e acordar no momento do nascimento verificam-se grandes mudanças físicas emocionais que têm consequências no comportamento, não só da mulher, mas também dos que a rodeiam.

Há vários fatores que influenciam a resposta das mulheres em relação à gestação: o seu nível de maturidade, as alterações corporais, as expectativas, a sua estrutura de personalidade, a sua relação com a família e ainda a sua segurança em termos emocionais.

A mulher “vai engravidando”. Primeiro biologicamente e depois há todo um percurso onde emocionalmente se vai dar conta de que este é o início de uma tarefa que será para toda a vida.

1º trimestre

Chega a notícia da gravidez e é a fase da aceitação. É comum verificarem-se mudanças de hábitos de vida e a grávida fica preocupada com a possibilidade de perder a sua imagem. Há um aumento do sentido de responsabilidade preocupação com o bem-estar do bebé e de medos que refletem as mudanças e adaptações por parte dos pais.

Neste período há frequentemente o aparecimento de náuseas vómitos.

bebé ainda não se sente, mas já tem uma grande influência na mãe, alterando-lhe o equilíbrio hormonal, os gostos e os desejos.

Durante esta primeira fase, a mulher grávida diminui o seu investimento no meio ambiente e centra-se mais sobre si mesma. Começa a transição do papel de filha para o de mãe. Por norma, aumenta a necessidade de dormir, há mudança nas rotinas alimentares, há diminuição da atividade social e do trabalho e da redução da frequência do relacionamento sexual do casal.

A gestante questiona outras mulheres sobre a experiência do parto. Esta partilha de informações e experiências ajudam-na a explorar os seus medos e a começar a identificar os seus instintos e funções maternas. Há por parte da mulher uma necessidade de ter ideias mais concretas acerca do que se vai passar, sobretudo relativamente aos aspetos que lhe causam mais angústias. Como ainda não passou por esta experiência anteriormente as suas apreensões e os seus medos são o alicerce das suas fantasias e o medo da mulher face ao parto é alimentado fundamental mente por tabus mitos, provenientes das conversas com outras pessoas e daquilo que lê.

2º Trimestre

Corresponde à fase de início dos movimentos fetais. É considerado o mais estável do ponto de vista emocional. Nesta fase, com a perceção dos movimentos fetais, a mulher toma consciência de que há uma vida a desenvolver-se dentro dela.

Começa a vivenciar a autonomia do bebé, apercebendo-se de que o desenvolvimento deste segue ritmos e regras próprias, os quais a mãe não tem como controlar. Neste período surge o bebé imaginário: a mãe começa a perceber que o bebé reage de forma diferente a determinados estímulos e interpreta isso como características individuais, atribui-lhe uma personalidade e idealiza-o. A grávida começa a falar para o bebé e este é portador dos sonhosesperanças ilusões.

À medida que o bebé se torna cada vez mais real a ansiedade dos pais centra-se no medo e na possibilidade da existência de malformações no bebé.

Em termos físicos, surgem grandes alterações corporais na gestante. A forma como a mulher se sente pode ser de grande alegria, podendo sentir-se orgulhosa das suas novas formas ou, ter a sensação de que o corpo está estranho, deformado e feio, sentir-se gorda e gostar menos de estar grávida. Pode sentir que todas as suas atracões físicas estão a desaparecer e ter medo que o companheiro tenha menos desejo por si.

3º trimestre

A mulher começa a preparar-se para a separação que vai ocorrer no momento do parto. Os últimos meses de gravidez são cruciais para concretizar a separação do bebé, como ser distinto da mãe. É nesta altura que a mulher começa normalmente a fazer planos concretos para o bebé (por exemplo a preparação do enxoval e do quarto do bebé, a mala para a maternidade, etc.).

Devido à proximidade do parto instala-se por um lado o desejo de ver o filho e terminar com a gravidez, mas por outro lado há vontade de a prolongar, para adiar a necessidade das novas adaptações exigidas pelo nascimento do bebé que por serem totalmente novas, podem ser assustadoras.

Desde a infância que a mulher ouve descrições de partos dolorosos e esta transmissão cultural contribui em muito para o aumento da ansiedade da grávida.

A grávida pode demonstrar maior sensibilidade e irritabilidade e acontecem com frequência pesadelos.

Nas últimas semanas de gravidez, há um estado de hipersensibilidade e a grávida concentra-se ainda mais nela e no seu bebé.

Neste último trimestre há uma reorganização emocional que permite à grávida aproveitar saudavelmente a ansiedade própria desta fase de desenvolvimento. As fantasias maternas, bem como a ansiedade pré-natal, constituem assim mecanismo saudáveis que permitem à mulher ir -se reajustando a esta nova realidade e preparar os futuros pais, quer na esfera pessoal, quer na esfera social.

As 40 semanas de gravidez preparam a mulher (e a família) de uma forma absolutamente incrível e indispensável para nova viagem que se segue: a da maternidade.

Partilhem connosco as vossas dúvidas e comentários!

Vera Carnapete, Psicóloga