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  • fisioandreviegas

Como manter a calma durante a pandemia

No nosso país, como no mundo inteiro, encontramo-nos a experienciar uma situação de grande intensidade emocional com a pandemia da COVID-19.


É perfeitamente normal experienciarmos sentimentos de medo, ansiedade, revolta, vulnerabilidade e falta de controlo. Sentimos grande apreensão em relação ao futuro, pois a doença e as medidas de contingência obrigaram a mudanças drásticas no nosso estilo de vida, com potencial impacto na vida familiar, quer pela alteração de rotinas, quer pela carga emocional, quer pelo desequilíbrio que poderá causar no orçamento familiar. Do mesmo modo, a incerteza de quando poderemos regressar à “normalidade”, o medo de que nós próprios ou um familiar próximo possa ser infetado ou de que a nossa subsistência possa estar em causa, pode originar ou ampliar sintomatologia ansiosa e depressiva.

Perante estas circunstâncias de extrema exigência, é importante reforçar alguns pontos importantes: 1. A ansiedade, a preocupação e o medo são emoções normais no ser humano e servem uma função de extrema importância na nossa sobrevivência: a de nos mantermos alerta para enfrentar os diversos perigos que possam ameaçar a nossa existência. A ansiedade que todos estamos a sentir pode ter uma função muito protetora, na medida em que nos mantém despertos para a adoção de práticas e comportamentos saudáveis, de redução do risco. Contudo, é importante que consigamos também relaxar, para que a ansiedade não perca essa função protetora e acabe por nos paralisar. 2. É importante mantermo-nos corretamente informados, colhendo informações de fontes fidedignas (Organização Mundial Saúde, Direção Geral Saúde, Ordem Psicógolos Portugueses), com o principal objetivo de acompanhar as medidas que podemos adoptar para nos mantermos protegidos e saudáveis. Contudo, é igualmente importante dosear o acesso à informação, limitando esses momentos a um máximo de 2 diários. Poderá ser importante ponderar desligar notificações de redes sociais em determinados momentos do dia. Também pode ser positivo procurar informações sobre pessoas recuperadas da doença, pois também há boas notícias a acontecer no meio da crise. Em suma, a informação sobre a pandemia é importante, mas precisamos igualmente de outros estímulos que ajudem a lembrar que, apesar deste contexto, a vida continua e existem muitos outros aspetos para além deste. 3. Em momentos como o que vivemos é normal que os nossos pensamentos automáticos negativos aumentem: “E se toquei num objeto contaminado?”; “Esqueci-me e esfreguei os olhos, será que vou ficar infetado?”; “E se as entidades nos estão a esconder informações?”. Procure reconhecer se este é o seu caso. Normalmente estes pensamentos têm características de catastrofização da situação, de “8 ou 80”, fazem com que pareça que o que se passa hoje vai ser sempre assim… Sempre que aparecerem nas nossas cabeças, é importante contrapo-los com informação factual. 4. É importante concentrarmo-nos no que podemos controlar, no que podemos efetivamente fazer que tem um impacto positivo: - Podemos seguir as recomendações das autoridades de saúde, nomeadamente manter o distanciamento social, o isolamento e cumprir as regras de higiene e etiqueta respiratória. - Podemos ajudar-nos a nós próprios, mantendo dentro dos possíveis as nossas rotinas, exercitando-nos e alimentando-nos de forma saudável; manter contactos à distância com pessoas importantes para nós; fazer atividades prazerosas e geradoras de bem-estar (ver um filme, cozinhar, ouvir música…). - Podemos recordar as estratégias e competências que utilizámos para ultrapassar outras situações difíceis nas nossas vidas e de que forma podemos voltar a usá-las para enfrentar esta situação concreta. - Podemos projetar-nos no futuro de forma positiva. Esta situação terá um fim. E quando acabar poderemos ver que conseguimos adaptar-nos e superá-la, que fomos capazes de usar recursos para manter as rotinas, que fomos criativos, que nos dedicamos à família e passamos tempo de qualidade com ela, que descobrimos novos interesses pelo simples facto de termos tido tempo para tal, que descobrimos o quanto as pessoas são importantes na nossa vida, pela falta que nos fez tê-las próximas. 5. Se verificar que sente dificuldade em adormecer ou dormir; se come mais ou menos do que o habitual; se tem dificuldades em concentrar-se noutras coisas não relacionadas com a COVID-19; se não consegue manter o seu funcionamento habitual e ter prazer em atividades de lazer; se está profundamente triste, se tem vontade de consumir álcool em excesso; se está extremamente irritado ou agressivo, ligue para a Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 ou procure ajuda de um Psicólogo. Estes aspetos são ainda mais fundamentais no caso de existência de problemas de Saúde Psicológica prévios, pelo que, nesses casos, é importante procurar a ajuda de um Psicólogo. Este texto foi redigido com o apoio do guia “COVID-19 VIVER A PANDEMIA SEM ENTRAR EM EXAGEROS!”, da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que pode ser consultado no site da OPP (ordemdospsicologos.pt/pt).


Ana Raquel Ortet, Psicóloga

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