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O peso das mochilas e as dores nas costas

Os dados epidemiológicos não deixam dúvida!

As dores nas costas não são apenas um problema de saúde nos adultos. Crianças e adolescentes reportam frequentemente dor nas costas (27 a 47% das crianças entre os 11 e os 15 anos referem pelo menos um episódio de dor de costas).

As causas das dores de costas em crianças e adolescentes ainda não estão perfeitamente identificadas. Fatores psicossociais (stress), género (feminino), fatores antropométricos (peso, altura), hábitos posturais, estilo de vida e o peso da mochila são hipóteses que têm sido levantadas, mas que ainda carecem de consenso científico.


Até há uns anos atrás, pensava-se que o peso transportado na mochila era um fator preponderante e que teria relação direta com o aparecimento de dor de costas nas crianças e adolescentes. Defendia-se, portanto, que as crianças não deviam transportar mais de 10 a 15% do seu peso corporal nas mochilas.


Os estudos mais recentes indicam que não existe uma relação direta entre o peso das mochilas e a dor nas costas e que se deve dar mais atenção ao estilo de vida sedentário e ao excesso de peso (índice de massa corporal elevado) das nossas crianças e adolescentes.


Apesar de não existir correlação direta entre o peso transportado nas mochilas pelas crianças e adolescentes e o aparecimento das dores nas costas, deixamos algumas sugestões:

  • Transportar apenas o que for essencial - utilizar o cacifo escolar e planear atempadamente o dia seguinte para evitar transportar o que não for necessário;

  • Utilizar a mochila com as alças colocadas nos 2 ombros;

  • A mochila deve estar bem próxima das costas (fivelas ajustadas);

  • O fundo da mochila não deve estar abaixo das nádegas;

  • O tamanho da mochila deve ser adequado ao tamanho da criança/adolescente.


Mais do que culpar o peso da mochila pelo elevado número de crianças e adolescentes com dor de costas, devemo-nos preocupar e focarmo-nos em dois grandes problemas que caracterizam estas gerações: o sedentarismo e o excesso de peso.


André Viegas, Fisioterapeuta

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