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Torcicolo Congénito

O torcicolo congénito é uma condição musculoesquelética muito comum em bebés, causando alguma preocupação aos pais. Esta condição pode estar presente logo após o nascimento, ou surgir nos primeiros meses de vida. O torcicolo congénito consiste no encurtamento unilateral de um músculo que temos na zona frontal do nosso pescoço, o esternocleidomastoideu. Manifesta-se tipicamente pela inclinação lateral da cabeça para o lado afetado e rotação da cabeça para o lado oposto. Nalguns casos, é visível um nódulo doloroso neste músculo.

É uma mais-valia os pais e educadores conhecerem esta condição e os seus sinais de alarme, contribuindo assim para a detecção precoce do torcicolo congénito. A sinalização precoce do torcicolo e o respectivo encaminhamento para Fisioterapia, permite uma resolução mais rápida dos sinais e sintomas no bebé, prevenindo futuras complicações.


Sinais de alarme a ter em conta:

  • Assimetria da face e/ou crâneo;

  • Inclinação lateral da cabeça para um lado e rotação para o lado oposto;

  • Nódulo muscular doloroso;

  • Preferência postural da cabeça para um lado (pode ser notado na cadeirinha, quando pegamos ao colo, quando deitamos o bebé para dormir ou até na amamentação);

  • Reatividade a estímulos (bebé mais reativo a estímulos visuais/auditivos para o lado preferencial);

  • Dor/choro perante o movimento ou quando os pais tentam contrariar a postura preferencial.

O torcicolo congénito causa diminuição da amplitude nos movimentos da cabeça e dor quando a posição preferencial é contrariada. Surge tipicamente, um lado para o qual o bebé está mais propenso a reagir a estímulos visuais/auditivos e tácteis. Isto acontece espontaneamente, uma vez que para o lado não preferencial, o bebé sente dor e limitação nos movimentos da cabeça, adotando comportamentos de evicção do movimento.


A Fisioterapia é a abordagem preferencial, resolvendo com sucesso a maioria dos casos. Faz parte da nossa intervenção, realizar ensinos aos cuidadores/pais de como contrariar o torcicolo congénito em ambiente informal, em casa. Esta abordagem é uma mais-valia já que inclui os pais no processo terapêutico e garante que a criança é estimulada para lá da hora da sessão de Fisioterapia.


Esse ensino, consiste em posicionamentos, reorganização do espaço (berço, brinquedos), posições de amamentação e exercícios que consistem em “alongar a brincar”. A nossa forma de cativar a atenção do bebé para tarefas com objectivo terapêutico, é através de estímulos visuais, auditivos e tácteis. Podemos usar esta estratégia para estimular o bebé a olhar e reagir a estímulos para o seu lado não preferencial.


Alguns exemplos de posicionamentos possíveis:

(A) Pega ao colo em alongamento;

(B) Bebé deitado ou sentado com estímulo lado não preferencial;

(C) Deitado de lado sobre uma almofada ou puff.



Liliana Santos, Fisioterapeuta

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