Rotura muscular nos gémeos em atletas

Teve uma dor forte na barriga da perna ao fazer exercício? E agora tem dificuldade a caminhar? Será uma rotura muscular dos gémeos? Então leia este artigo até ao fim!

Os gémeos ou gastrocnémios são dois músculos superficiais localizado no compartimento posterior da perna, e devem o seu nome ao fato de serem constituídos por dois ventres musculares idênticos (gémeo interno e gémeo externo) que se unem formando o tendão de Aquiles que se insere no calcanhar.

Este músculo é enervado pelo nervo tibial, sendo responsável por realizar a flexão plantar do pé, e por empurrar (impulsão) o solo durante a caminhada.

 

Fonte – Physiopedia: Calf strain

O que é?

Uma rutura muscular dos gémeos é o nome dado a um estiramento muscular exagerado, onde ocorre rutura de fibras musculares do gémeo, sendo mais frequente no gémeo interno. Esta lesão comumente ocorre quando existe um impacto forte do pé sobre o solo, envolvendo uma força excêntrica sobre os gémeos, por exemplo após um salto.

As roturas musculares nos gémeos são mais comuns em desportos que envolvem força explosiva dos membros inferiores, onde existe uma mudança rápida entre a flexão plantar e a dorsiflexão, como por exemplo no futebol, no basquetebol, no ténis, no paddle, na corrida, no ski, no triatlo e no atletismo.

Causas

A National Football League fez um estudo onde consta que ocorrem em média 2,3 lesões por equipa a cada ano. Além disso, uma rutura muscular dos gémeos implica em média 17,4 dias de ausência da prática desportiva, representando assim elevados custos para os clubes e para os próprios atletas.

Como fatores de risco para a ocorrência de ruturas do gémeos salientamos a fadiga muscular, cãibras frequentes, resultado de uma falha no relaxamento muscular; e a diminuição do fornecimento vascular ao músculo, através da artéria tibial posterior.

Desta forma, esta lesão é mais prevalente em atletas de meiaidade e/ou que possuem menor condição física, tendo em conta que o músculo entra em fadiga mais rápido. No entanto, também é frequente em atletas que realizam um aquecimento precário, porque as estruturas não se encontram bem irrigadas.

Sintomas

É importante estar atento aos sinais do corpo.

Os sinais e sintomas desta lesão caracterizam-se por uma dor significativa do tipo picada, que pode ser acompanhada por um estalido, e seguida por edema ou inchaço, uma tensão muscular e rigidez ao nível dos gémeos, dor ao movimento ativo de flexão plantar e dorsiflexão, diminuição da força muscular. Também é comum existir dificuldade ao caminhar, por dor ao apoiar o peso do corpo, logo a pessoa sente-se mais confortável ao apoiar-se sobre a ponta dos dedos dos pés.

Continuar a prática da modalidade desportiva com uma pequena rutura poderá causar um aumento da dor e levar a uma rutura mais severa. Desta forma é importante existir um correto diagnóstico.

Diagnóstico

Para realizar o diagnóstico não é obrigatório o uso de imagem, no entanto através da ecografia é possível observar a rutura das fibras musculares e a presença de edema ou hematoma, pelo que se torna importante para perceber a severidade da lesão e monitorizar a sua recuperação.

O plano de tratamento e o tempo de recuperação demora entre 3 semanas a 6 meses, este dependerá da severidade da lesão das fibras musculares, do mecanismo de lesão, do local onde existiu rutura das fibras musculares e dos sintomas.

Um pequeno estiramento muscular, onde apenas algumas fibras ficam tensas demora cerca de 1 a 3 semanas a recuperar. Uma rutura parcial demora cerca de 6 a 8 semanas a recuperar, enquanto uma rutura total dos gémeos ou do tendão de Aquiles pode demorar entre 3 a 6 meses. No entanto é importante ter em conta que todas as pessoas recuperam de uma lesão em tempos diferentes, sendo influenciável por outros problemas de saúde que possam existir.

Independentemente do seu grau de lesão, nós estaremos cá para o acompanhar durante todo o processo de recuperação!

Tratamento

Nas primeiras 48 a 72h realizaremos um tratamento conservador e um controlo dos sinais inflamatórios.

Após esse período, é importante diminuir a dor, aumentar a amplitude de movimento não dolorosa,  e aumentar a força muscular, com o objetivo de restaurar a função e o movimento normal da sua perna, para que volte a caminhar sem dor.

Quando já for capaz de realizar as suas atividades do dia-a-dia, iremos focar-nos no seu regresso à prática desportiva de forma segura e saudável. Pretendemos que tenha o mesmo nível de performance que tinha antes da lesão, e pretendemos reduzir o risco de recidiva.

Para isso vamos introduzir carga de forma gradual e progressiva, aumentando intensidade, velocidade, e introduzindo exercícios específicos semelhantes aos gestos técnicos. Queremos ter a certeza que o teu corpo estará preparado para o retorno à modalidade.

 

A sua recuperação é importante para nós! Marca a tua consulta!

 

Ana Carolina Oliveira, Fisioterapeuta

 

Fontes:

Amaro, C. M., Castro, M. A., Roseiro, L., Mendes, R., & Amaro, A. M. (2021). Gastrocnemius activation throughout the competitive season in athletes of different experience levels. Applied Sciences (Switzerland), 11(3), 1–10. https://doi.org/10.3390/app11030984

Gastrocnemius Rupture.pdf. (n.d.).

Hearne, D. (2020). Calf Muscle Injury. 1–12. www.tims.nhs.uk

Werner, B. C., Belkin, N. S., Kennelly, S., Weiss, L., Barnes, R. P., Potter, H. G., Warren, R. F., & Rodeo, S. A. (2017). Acute Gastrocnemius-Soleus Complex Injuries in National Football League Athletes. Orthopaedic Journal of Sports Medicine, 5(1), 1–6. https://doi.org/10.1177/2325967116680344

(Gastrocnemius Rupture.Pdf, n.d.)(Werner et al., 2017)(Hearne, 2020)(Amaro et al., 2021)